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Como ser mais feliz praticando mindfulness?

Marcelo Demarzo

13/06/2018 04h00

Crédito: iStock

Uma das maiores armadilhas que podemos cair é acreditar que um dia seremos felizes o tempo inteiro, ou esperar que esse momentos durem eternamente. É natural da vida, e da própria biologia humana, que momentos de felicidade se alternem com momentos de mal-estar (mais ou menos intensos). Entender esse fluxo natural, e principalmente poder conviver com ele de maneira adequada, é um dos maiores benefícios que a prática da atenção plena pode nos proporcionar.

O aparente paradoxo é que quando entendemos e aceitamos esse fluxo natural de alternância de momentos felizes e infelizes, é que podemos experimentar um estado mais sustentável de bem-estar. O que explica esse “paradoxo” é que com a prática da “atitude mindful” (traduzida como “olhar do principiante”, abertura, curiosidade ou aceitação) poderemos estar mais plenos e em paz com as diversas situações do dia a dia, independentemente de quais sejam.

A ideia é podermos desfrutar dos momentos de felicidade estando plenamente presentes, e também conseguirmos lidar de maneira mais tranquila com as partes desagradáveis ou de mal-estar do dia a dia e da vida. Nesse sentido, lembro de uma frase clássica de autoria de Jon Kabat-Zinn, pai dos programas contemporâneos e científicos de mindfulness: “Não é possível parar as ondas, mas é possível surfá-las”.

Para explorar um pouco mais do tema, vou retomar a ideia dos dois tipos de felicidade que conhecemos atualmente, a hedônica e a eudaimônica. Ambas estão ligadas às experiências de alegria e bem-estar, combinadas com a percepção de que nossa vida vale a pena e faz sentido.

A felicidade hedônica, mais conhecida por todos nós, é quando nosso objeto de felicidade é algo “externo” a ser atingido ou obtido (por exemplo: terminar uma corrida, ter um bom trabalho, ter filhos, ter propriedades). Como a felicidade está fora de nós, a conquista desse objeto nos dará prazer por alguns dias, meses ou anos; mas em determinado momento é comum que precisemos de outro objeto, e o ciclo começa novamente.

A felicidade eudaimônica, por outro lado, está ligada a objetos “internos”, e considera tudo o que precisamos para ser felizes já está dentro de nós, portanto, não é necessário obter nada externo. Está ligada a expectativas mais realistas sobre nós mesmos e sobre a felicidade (entender o fluxo natural de alternância de momentos felizes e infelizes, por exemplo). Outra ideia é a de que não faz sentido tentar mudar as coisas que não podemos mudar (isso não significa que não fazemos planos, mas que tentamos mudar o que realmente podemos e necessitamos mudar).

Como a felicidade já está aqui e agora (sem a necessidade de atingir nada), o presente é o momento mais importante, ou seja, desfrutamos de cada momento. Isso é puro mindfulness e pode ser treinado (veja e pratique 3 técnicas aqui).

Assim, a atenção plena nos permite desfrutar plenamente do que estamos vivenciando nesse momento, e também a observação dos momentos desagradáveis ou de mal-estar com um certo distanciamento (chamamos de “decentering”), entendendo sua impermanência, e lidando com os mesmos de outra perspectiva.

Trazendo essa habilidade para o dia a dia, e para a ideia de felicidade em nossas vidas, poderemos desfrutar dos momentos “externos” e “internos” de felicidade, tomar consciência de quando nossa mente não está mais “ali” (podendo retornar); e, também, observar quando estamos pensando ou agindo de maneira muito distante de nossos valores e das coisas que realmente nos dão sentido na vida (“felicidade eudaimônica”).

Vamos praticar?

Referência:

Garcia-Campayo & Demarzo. ¿Que sabemos de Mindfulness? Kairós Editorial, 2018.

Para saber mais:

www.mindfulnessbrasil.com (Mente Aberta – Centro Brasileiro de Mindfulness e Promoção da Saúde – UNIFESP)

www.webmindfulness.com (WebMindfulness – Grupo de Pesquisa Coordenado pelo Prof. Javier García-Campayo – Universidad de Zaragoza, informações em espanhol)

www.umassmed.edu/cfm (Centro de Meditação “Mindfulness” na Medicina, Universidade de Massachusetts, Estados Unidos, informações em inglês)

 

Sobre o Autor

Marcelo Demarzo é médico especialista em mindfulness (atenção plena), professor e pesquisador na área de medicina, saúde e bem-estar. Ministra cursos e palestras sobre estilo de vida mindful, bem-estar e saúde --expertise desenvolvida em 15 anos como professor e pesquisador em vários hospitais e universidades brasileiras (UNIFESP, USP, Hospital Israelita Albert Einstein) e internacionais (Universidade de Oxford, Universidade de Zaragoza, Harvard University). É autor de livros e estudos científicos relacionados ao tema de mindfulness e qualidade de vida e realiza dezenas de atendimentos individuais e em grupo para disseminar o conceito de mindful living (viver pleno e consciente). É coordenador da Especialização em Mindfulness da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo).

Sobre o Blog

Dicas e reportagens sobre saúde e qualidade de vida, com foco em mindfulness e bem-estar. Um espaço interativo para conversarmos sobre como desenvolver um estilo de vida mais mindful (pleno e consciente), que irá ajudá-lo a lidar melhor com o estresse, algo tão comum na nossa vida atual.

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