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Mindfulness Para o Dia a Dia

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Dispersão e tédio: veja desafios psicológicos para prática de mindfulness

Marcelo Demarzo

2015-05-20T19:04:00

15/05/2019 04h00

Crédito: iStock

A prática de mindfulness pode trazer, mais cedo ou mais tarde, desafios físicos e psicológicos, em especial no início do treinamento, conforme já referi e comentei no último post, mais em relação aos desafios físicos. Hoje tratarei de alguns desafios psicológicos mais comuns:

Dispersão mental

Durante a meditação estamos continuamente oscilando entre a dispersão e a sonolência (sobretudo no princípio). E certamente será mais difícil manter a atenção se, alguns minutos antes da meditação, você tiver discutido com alguém ou visto um filme ou recebido algum estímulo que o impressionou.

É normal e esperado que esses estímulos apareçam durante a prática. De qualquer forma, o surgimento da dispersão não é motivo para abandonar a meditação. Assim, uma "boa" prática de mindfulness ou meditação não implica ausência de pensamentos, mas sim a capacidade de observar nossa experiência corporal ou estado mental com curiosidade. Ou seja, reconhecer e lidar com a dispersão deve ser considerada uma parte da técnica, e não um empecilho ou barreira.

Tédio

Para a mentalidade atual (acostumada a muitos estímulos e atividades), pode ser que a ideia de "parar" para fazer uma prática de meditação ou mindfulness seja algo muito entediante. Permanecer 30 minutos observando um fenômeno aparentemente tão monótono como a respiração não parece muito interessante.

Por outro lado, aparte de todos os benefícios estudados de mindfulness, não existem duas respirações iguais. Podemos observar os seus vários aspectos: temperatura do ar, profundidade da respiração, regiões do nariz que estão em contato com a respiração, intervalos entre inspiração-expiração e expiração-inspiração etc.

Assim, uma estratégia pode ser observar as características singulares da respiração. Mas outra estratégia é observar o tédio em si: "Quais pensamentos se associam a esse sentimento?", "Que sensações físicas o acompanham?", são exemplos de perguntas ou observações que podemos fazer durante as práticas de mindfulness se aparecer a sensação de tédio.

Excesso de zelo ou expectativa

Em qualquer tipo de atividade, os principiantes tendem a ter expectativas pouco realistas. E costumam pensar que podem atingi-las de imediato, bastando para isso um pouco mais de dedicação diária.

Assim como em muitas outras atividades da vida, a compreensão e aprofundamento na prática de mindfulness e seus benefícios não depende do tempo dedicado à prática durante um curto período de tempo, mas da bagagem da prática regular, ainda que o tempo dedicado diariamente não seja muito longo.

Em resumo, é uma "corrida de média e longa distância", não um "sprint". Alguns principiantes têm a expectativa de obter resultados ou experiências especiais de forma imediata e por isso praticam em excesso, por um lado, ou se frustram rapidamente e desistem, por outro.

Essa atitude antinatural costuma gerar incômodo e irritabilidade em relação a si mesmo e à própria meditação, porque acaba gerando resistência e mais desconforto físico e mental.

Vamos praticar?

CONVITE: Quer saber mais sobre a ciência por trás de mindfulness? Venha participar do VI International Meeting on Mindfulness (São Paulo, 12-15 de junho de 2019): www.mindfulnessmeeting.com

Referência:

Demarzo & Garcia-Campayo. Manual Prático de Mindfulness: curiosidade e aceitação. Editora Palas Athena, 2015.

Para saber mais sobre mindfulness:

www.mindfulnessbrasil.com (Mente Aberta – Centro Brasileiro de Mindfulness e Promoção da Saúde – UNIFESP)

www.webmindfulness.com (WebMindfulness – Grupo de Pesquisa Coordenado pelo Prof. Javier García-Campayo – Universidad de Zaragoza, informações em espanhol)

www.umassmed.edu/cfm (Centro de Meditação "Mindfulness" na Medicina, Universidade de Massachusetts, Estados Unidos, informações em inglês)

Sobre o autor

Marcelo Demarzo é médico especialista em mindfulness (atenção plena), professor e pesquisador na área de medicina, saúde e bem-estar. Ministra cursos e palestras sobre estilo de vida mindful, bem-estar e saúde --expertise desenvolvida em 15 anos como professor e pesquisador em vários hospitais e universidades brasileiras (UNIFESP, USP, Hospital Israelita Albert Einstein) e internacionais (Universidade de Oxford, Universidade de Zaragoza, Harvard University). É autor de livros e estudos científicos relacionados ao tema de mindfulness e qualidade de vida e realiza dezenas de atendimentos individuais e em grupo para disseminar o conceito de mindful living (viver pleno e consciente). É coordenador da Especialização em Mindfulness da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo).

Sobre o blog

Dicas e reportagens sobre saúde e qualidade de vida, com foco em mindfulness e bem-estar. Um espaço interativo para conversarmos sobre como desenvolver um estilo de vida mais mindful (pleno e consciente), que irá ajudá-lo a lidar melhor com o estresse, algo tão comum na nossa vida atual.