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Como desfrutar do fim de ano com uma pitada de mindfulness

Marcelo Demarzo

18/12/2019 08h25

iStock

Uma atitude mais "mindful" nos ajuda a desfrutar mais das coisas boas e a lidar melhor com os desafios do fim de ano.

As festas de fim de ano (confraternizações, comemorações natalinas e Ano-Novo) são, sem dúvida, um momento muito legal do ano.

Por outro lado, o compromisso de presentear amigos e familiares e as consequentes lojas lotadas, o eventual "estresse dos encontros familiares" e uma certa melancolia pelas coisas que passaram podem tornar essa época festiva um pouco difícil de lidar para muitos de nós.

Pelos dois motivos (positivos e negativos), é fácil entrarmos no "piloto automático" nessa época do ano, fazendo as coisas no "automatismo", e quando percebemos, as festas e esses preciosos momentos já passaram, e ficamos com a sensação de que não desfrutamos o suficiente, ou da maneira que gostaríamos.

E ainda temos as "resoluções de Ano-Novo". É comum que ao chegarmos ao fim do ano que tenhamos observado coisas a aprimorar (saúde física e/ou financeira em geral), e resolvamos mudar nossos hábitos no ano que se inicia.

Como tudo na vida, essas resoluções podem ter dois aspectos, um positivo e um negativo. O positivo é que é um período legal para recalibrarmos nossa "motivação" para mudar alguns hábitos, o que é fundamental.

O lado negativo é que podem ser uma carga extra de estresse, pois podemos partir para resoluções irrealistas ("perder muito peso", "fazer muito mais atividade física", "ser plenamente feliz", "ficar milionário"), e que podem causar mais ansiedade e frustração.

Algumas pesquisas mostram que menos de 10% das pessoas realmente alcançam parte das resoluções de Ano-Novo, e que a maioria dessas resoluções duram, em média, oito dias. Ou seja, nós "não estamos sozinhos".

Duas dicas "mindful" para lidar melhor com essa época do ano

  1. "Contemplar"

Simplesmente parar e prestar atenção no que estamos fazendo naquele momento. Parece simples, mas é desafiador porque não estamos habituados (nossa mente tem uma tendência muito grande de dispersão, aproximadamente 50% do tempo).

Essas "pausas de consciência" (que valem tanto para momentos agradáveis como para desagradáveis) não são momentos em que nada acontece. Ao contrário, ao pararmos e prestarmos atenção, abrimos espaço para uma nova perspectiva sobre as coisas, em vez de continuarmos no "piloto automático". É uma porta de entrada para o que chamamos de "Mente do Principiante", podendo explorar as coisas como realmente são, saindo dos padrões repetitivos mentais, que fomos acumulando ao longo do tempo.

Este é o primeiro passo para um momento de "contemplar". Contemplar não quer dizer ficar calmo, mas sim poder estar presente no que está acontecendo ou fazendo, podendo, por exemplo, desfrutar uma sensação agradável (estar com as pessoas que amamos, tomar um bom vinho, comer um doce de natal).

Ou ainda poder sair da reatividade ou impulsividade frente ao desagradável (lojas lotadas, familiares que não nos damos bem, melancolia).

  1. Ter "intenções" ao invés de "resoluções"

Uma estratégia interessante seria pensarmos em termos de "intenções" ou invés de "resoluções". As "resoluções" têm a tendência de serem muito rígidas ou "inflexíveis" ("perder 10 quilos", por exemplo), podendo gerar preocupação e frustração.

As "intenções" estão mais no campo dos "nortes", para onde gostaríamos de direcionar nossas atividades, nossas prioridades, e nos servem como "guia". São menos rígidas e trazem certa flexibilidade, gerando menos cobrança e percepção de estresse.

Um exemplo de "intenção" poderia ser "estar um pouco mais atento e presente nas atividades do dia a dia". É realista, factível, e nos serve de "norte" ao longo do ano.

Vamos praticar?

BOAS FESTAS!

Mande sua pergunta: Se você tem alguma dúvida ou curiosidade sobre mindfulness, atenção plena, ou neurociência do comportamento, por favor me escreva que terei prazer em abordar seu tema em textos futuros: demarzo@unifesp.br

Referências:

Demarzo & Garcia-Campayo. Manual Prático de Mindfulness: curiosidade e aceitação. Editora Palas Athena, 2015.

Para Saber Mais:

www.mindfulnessbrasil.com (Mente Aberta – Centro Brasileiro de Mindfulness e Promoção da Saúde – UNIFESP)

www.webmindfulness.com (WebMindfulness – Grupo de Pesquisa Coordenado pelo Prof. Javier García-Campayo – Universidad de Zaragoza, informações em espanhol)

www.umassmed.edu/cfm (Centro de Meditação "Mindfulness" na Medicina, Universidade de Massachusetts, Estados Unidos, informações em inglês)

Sobre o autor

Marcelo Demarzo é médico especialista em mindfulness (atenção plena), professor e pesquisador na área de medicina, saúde e bem-estar. Ministra cursos e palestras sobre estilo de vida mindful, bem-estar e saúde --expertise desenvolvida em 15 anos como professor e pesquisador em vários hospitais e universidades brasileiras (UNIFESP, USP, Hospital Israelita Albert Einstein) e internacionais (Universidade de Oxford, Universidade de Zaragoza, Harvard University). É autor de livros e estudos científicos relacionados ao tema de mindfulness e qualidade de vida e realiza dezenas de atendimentos individuais e em grupo para disseminar o conceito de mindful living (viver pleno e consciente). É coordenador da Especialização em Mindfulness da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo).

Sobre o blog

Dicas e reportagens sobre saúde e qualidade de vida, com foco em mindfulness e bem-estar. Um espaço interativo para conversarmos sobre como desenvolver um estilo de vida mais mindful (pleno e consciente), que irá ajudá-lo a lidar melhor com o estresse, algo tão comum na nossa vida atual.