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Prática de mindfulness (atenção plena): ciência ou modismo?

Marcelo Demarzo

26/12/2019 08h25

iStock

Cada vez mais falamos dos benefícios de praticarmos mindfulness, mas o tema ainda gera debate entre profissionais e o público em geral.

Apesar de cada vez mais falarmos dos benefícios relacionados à prática de mindfulness (atenção plena, conheça mais), o tema ainda gera debate entre profissionais e o público em geral.

Uns defendem que se trata de mais um modismo, e outros clamam pelos estudos científicos que compravam sua eficácia. O mesmo tipo de discussão também ocorre dentro do mundo científico, como apoiadores dos dois lados (ver exemplo de um artigo científico no sentido negativo).

Uma das principais explicações para esse debate é que em qualquer novo campo de conhecimento, como mindfulness, sempre há dois movimentos, opostos e extremistas. Vejamos:

Uma "hype" (excesso de entusiasmo, defendendo mindfulness como "panaceia", ou "cura de todos os males"), que em geral ocorre mais no início; e o "backlash" (reação no sentido oposto, defendendo mindfulness como "desprovido de qualquer evidência"), que geralmente acontece um tempo depois.

Essas visões "extremas" ("panaceia" ou "sem nenhuma evidência") acabam atrapalhando a opinião pública, pois informam mal a população.

O ideal seria o "caminho do meio", ou seja, uma visão mais realista e equilibrada sobre mindfulness e seus benefícios, falando do que está comprovado, e do que ainda não está, de maneira clara e objetiva.

Por exemplo, sabemos que existem muitas pesquisas importantes e bem-feitas que comprovam de maneira consistente os efeitos positivos de mindfulness em várias áreas, como a saúde. Existem mais de 5 mil artigos científicos sobre os protocolos de mindfulness, e muitas dessas pesquisas são de boa qualidade.

Os estudos de meta-análise, que são a melhor maneira para acessarmos os dados de maneira resumida e com qualidade, mostram que os treinamentos de mindfulness (cursos de 8 semanas – existem vários desses protocolos) são tão eficazes quanto outros tratamentos-padrão para casos de transtorno de ansiedade, depressão, dor crônica e dependência de álcool e drogas.

Existem dados consistentes também para a aplicação de mindfulness para crianças e professores (escolas), e para profissionais e organizações.

Por outro lado, sabemos também que existem muitas pesquisas preliminares e/ou de baixa qualidade, que acabam sendo divulgadas de maneira inadequada. Os programas de treinamento em mindfulness têm naturalmente suas limitações, não sendo bons para tudo e todos, possuindo indicações precisas, contraindicações, e necessitando de profissionais qualificados como instrutores para que realmente possam beneficiar as pessoas.

Assim, o nosso maior desafio é divulgar mindfulness e seus benefícios de maneira ética e científica, para que todos os interessados possam se beneficiar.

Vamos praticar?

BOAS FESTAS!

Mande sua pergunta: Se você tem alguma dúvida ou curiosidade sobre mindfulness, atenção plena, ou neurociência do comportamento, por favor me escreva que terei prazer em abordar seu tema em textos futuros: demarzo@unifesp.br

Referências:

Demarzo & Garcia-Campayo. Manual Prático de Mindfulness: curiosidade e aceitação. Editora Palas Athena, 2015.

Para Saber Mais:

www.mindfulnessbrasil.com (Mente Aberta – Centro Brasileiro de Mindfulness e Promoção da Saúde – UNIFESP)

www.webmindfulness.com (WebMindfulness – Grupo de Pesquisa Coordenado pelo Prof. Javier García-Campayo – Universidad de Zaragoza, informações em espanhol)

www.umassmed.edu/cfm (Centro de Meditação "Mindfulness" na Medicina, Universidade de Massachusetts, Estados Unidos, informações em inglês)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Marcelo Demarzo é médico especialista em mindfulness (atenção plena), professor e pesquisador na área de medicina, saúde e bem-estar. Ministra cursos e palestras sobre estilo de vida mindful, bem-estar e saúde --expertise desenvolvida em 15 anos como professor e pesquisador em vários hospitais e universidades brasileiras (UNIFESP, USP, Hospital Israelita Albert Einstein) e internacionais (Universidade de Oxford, Universidade de Zaragoza, Harvard University). É autor de livros e estudos científicos relacionados ao tema de mindfulness e qualidade de vida e realiza dezenas de atendimentos individuais e em grupo para disseminar o conceito de mindful living (viver pleno e consciente). É coordenador da Especialização em Mindfulness da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo).

Sobre o blog

Dicas e reportagens sobre saúde e qualidade de vida, com foco em mindfulness e bem-estar. Um espaço interativo para conversarmos sobre como desenvolver um estilo de vida mais mindful (pleno e consciente), que irá ajudá-lo a lidar melhor com o estresse, algo tão comum na nossa vida atual.

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